O Musicar Local
Suzel Ana Reily
Flávia Camargo Toni
Rose Satiko Gitirana Hikiji
Musicar local: trilhas para estudos musicais é o resultado de um amplo projeto temático envolvendo dezenas de pesquisadores da USP, Unicamp e outras universidades, sediado em São Paulo no Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA-USP). O livro explora o potencial do conceito “musicar local”, inspirado no neologismo cunhado por Christopher Small, musicking, termo que visa abarcar qualquer forma de engajamento com música. Para situar o musicar enquanto fenômeno local, o volume se volta à investigação da relação entre os musicares e as localidades em que ocorrem, perguntando tanto como os musicares afetam as localidades quanto como as localidades impactam os musicares. Os capítulos abordam diferentes problemáticas teórico-metodológicas que emergiram das pesquisas etnográficas, delineando um leque de esferas de investigação que o musicar local oferece.
O livro é organizado por Suzel Ana Reily, professora titular de etnomusicologia do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora do Projeto Temático Fapesp “Musicar local: novas trilhas para a etnomusicologia”, Flávia Camargo Toni, musicóloga e professora titular do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) e Rose Satiko Gitirana Hikiji, professora livre-docente do Departamento de Antropologia da USP e coordenadora do Lisa – Laboratório de Imagem e Som em Antropologia – e do PAM – Pesquisas em Antropologia Musical.

The Routledge International Handbook of Ethnographic Film and Video
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Este capítulo examina a ética, a estética e as técnicas da pós-produção colaborativa nesta nova edição do livro. Na produção de filmes etnográficos, a pós-produção colaborativa é um processo multifacetado, e aqui nos concentramos em apenas um aspecto, geralmente associado às fases finais da edição: a trilha sonora, seja ela composta por música, gravações sonoras ou pela voz humana. Discutimos o papel central que a colaboração desempenha em algumas produções cinematográficas etnográficas, chamando a atenção para o seu lugar não apenas no processo de produção, mas também no período de “pós”-produção, quando o filme já está parcial ou totalmente editado e as trilhas sonoras são finalmente introduzidas.

African soundtracks in Brazil:
race, music and migration
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
No Capítulo 4, Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft realizam uma análise etnográfica das complexas formas de violência racial, cultural e política enfrentadas por artistas africanos e da diáspora africana em São Paulo, que adotaram a música como meio de expressão de resistência para promover um espaço de solidariedade. Em sintonia com o foco da coletânea na mediação de múltiplas formas de violência por comunidades marginalizadas, este capítulo utiliza seu estudo de caso para revelar histórias passadas e
presentes, ocultas e manifestas, das lutas anticoloniais, antiescravagistas e afropolitanas, explorando a contra-narrativa de resistência da comunidade de músicos africanos à violência institucional e sistêmica racializada em sua articulação da identidade africana no Brasil contemporâneo.

Filmar o musicar: ensaios de antropologia compartilhada
Rose Satiko Gitirana Hikiji
Esta obra apresenta trilhas audiovisuais para uma antropologia musical compartilhada. São percursos por universos musicais encontrados desde o doutorado da autora em Antropologia Social até o presente. Caminhos percorridos quase sempre em companhia de parceiras e parceiros na antropologia, no cinema, na música e na vida. Com câmeras nas mãos, nos aproximamos de fazeres musicais na cidade de São Paulo protagonizados por jovens participantes em um projeto social de ensino musical, por artistas da cena hip-hop e funk em Cidade Tiradentes, por músicos africanos recém-chegados nessa megalópole. Filmar o musicar implica transformar a pesquisa em composição, o que é feito a partir de processos colaborativos. Ensaio, em boa companhia, o sonho rouchiano de compartilhar a antropologia. Esta obra integra a Coleção ABCD Agenda 2030 e alinha-se aos seguintes ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: ODS 10 – Redução das desigualdades e ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis.

Gringos, nômades, pretos – políticas do musicar africano em São Paulo
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Ao acompanhar nos últimos anos músicos africanos recém-chegados ao Brasil, observamos como seu musicar em São Paulo cria um mundo de imaginação e potencialidade política, um espaço para a solidariedade, habitado por entidades africanas e afrodiaspóricas da história passada e presente, de lutas e manifestações artísticas anticoloniais, antiescravistas ou afropolitanas (Mbembe, 2015). Como estes músicos lidam com as políticas raciais e culturais do país? Como o racismo e os movimentos afro-brasileiros os interpelam? Que capitais transculturais (Glick-Schiller e Meinhof, 2011) ou formas de “ação social” (Blacking, 1995) mobilizam para navegar na cena artística brasileira? Como lidam com as instituições culturais e com os movimentos sociais? Ser africano no Brasil – seja no palco, no estúdio de gravação, em eventos artivistas ou solidários – é sempre um ato de resistência. “Gringos” ou “nômades” estes artistas constituem uma “comunidade musical” (Shelemay, 2011) com quem dialogamos num fazer etnográfico fílmico e compartilhado.

O visto e o invisível
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Este ensaio resulta de colaborações entre o artista da República Democrática do Congo Shambuyi Wetu e nós, antropólogos. Em suas quimeras, Shambuyi materializa identidades alternativas para o imigrante e o refugiado africanos no Brasil. Com sua utopia crítica, promove uma narrativa decolonizadora acerca da escassez, da guerra, do sofrimento.

Afro-Sampas
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Afro-Sampas é um documentário sobre encontros musicais. Tais encontros são também os de diversas comunidades mundiais na África e no Brasil. O documentário ilustra a oralidade da música, que emerge de colaborações, improvisações e música não escrita. Ao fazê-lo, ilustra a singularidade do cinema na disseminação da música, através de uma combinação de performances intimistas e entrevistas sobre o lugar da África em São Paulo, no Brasil e, de forma mais ampla, no mundo. O projeto, compartilhado audiovisualmente, reúne músicos do Senegal, Togo, República Democrática do Congo, Moçambique, Angola e Brasil para refletir sobre Ser/Tornar-se Africano no Brasil. Afro-Sampas é uma obra perspicaz que nos convida a pensar sobre a “hospitalidade cultural” e a forte ligação entre música, identidade e migração.

Collaborative post-production
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Este capítulo examina a ética, a estética e as técnicas da pós-produção colaborativa. 1 Na produção de filmes etnográficos, a pós-produção colaborativa é um processo multifacetado, e aqui nos concentramos em apenas um aspecto, geralmente associado às fases finais da edição: a trilha sonora, seja ela composta por música, gravações sonoras ou pela voz humana. Discutimos o papel central que a colaboração desempenha em algumas produções cinematográficas etnográficas, chamando a atenção para o seu lugar não apenas no processo de produção, mas também no período de “pós”-produção, quando o filme já está parcial ou totalmente editado e as trilhas sonoras são finalmente introduzidas.
The Routledge International Handbook of Ethnographic Film and Video (LINK)

Opening Eyes through Ears
Migrant Africans Musicking in São Paulo
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Este capítulo explora a prática musical translocal de músicos africanos no Brasil, entendendo-a como uma forma de produzir tanto localidades quanto identidades. Que tipos de localidades estão sendo produzidas em uma cidade que acolhe um novo tipo de migração africana, e o que acontece com as músicas que a acompanham? Com base em três estudos de caso, o capítulo detalha como os músicos africanos negociam suas identidades no Brasil. Ele também analisa como a política se torna parte integrante desse processo e como uma sensibilidade transnacional compartilhada ganha visibilidade por meio do canto.
The Routledge Companion to the Study of Local Musicking (LINK)

Bagagem desfeita: a experiência da imigração por artistas congoleses
Rose Satiko Gitirana Hikiji
Jasper Chalcraft
Josep Juan Segarra
Dois artistas congoleses em São Paulo, Yannick Delass e Shambuyi Wetu, encontram-se em performances que registramos e recriamos. Aqui, música e arte são momentos de empoderamento, mudanças sutis na visibilidade e no espaço auditivo das políticas da imigração.
Gesto, Imagem e Som (LINK)

Imagens que atravessam. Diáspora africana em performance
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Este artigo analisa como os artistas da diáspora africana no Brasil engajam com espaços institucionais de memória coletiva e com o mundo das artes em seus novos lares, e consideramos o que isso implica para as políticas da memória no Brasil e além. Descrevemos a parceria de produção de imagens e performances entre Shambuyi Wetu, artista congolês que vive em São Paulo, e nós, uma antropóloga brasileira e um britânico. Discutimos algumas questões colocadas no nosso encontro com os artistas da diáspora: Como histórias difíceis podem ser representadas, e quais as implicações de diferentes representações? O que é simplificado – e o que é complexificado – no questionamento transnacional de histórias racistas nacionais? O que significa para um artista africano falar sobre o sofrimento dos negros no Brasil?
Artelogie (LINK)

“Dialogue over Time: Reception, Improvisation, and Mediation in Collaborative Ethnographic Filmmaking”
Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft
Discussão em Trajectoria – Antropologia, Museus e Arte

Tabuluja (Wake Up!)
Rose Satiko Gitirana Hikiji
Jasper Chalcraft
Shambuyi Wetu
Em suas performances, Shambuyi Wetu, artista da República Democrática do Congo e refugiado em São Paulo, constrói narrativas sobre a experiência da diáspora e o contexto do “l’homme noir” no mundo. Parte da coleção Afro-Sampas, o filme Tabuluja é uma colaboração entre o artista e os antropólogos Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft. A pesquisa e o filme exploram as experiências de músicos, dançarinos e artistas africanos que atualmente residem em São Paulo e fazem parte do projeto “Ser/Tornar-se africano no Brasil: música e patrimônios em migração”.
Trajectoria: Anthropology, Museums & Art

